A nadadora brasileira Rebeca Gusmão, flagrada em dois exames antidoping, vive um dia decisivo nesta terça-feira, dia 17 de março. O julgamento chega à última instância na Corte Arbitral dos Esportes (CAS), em Lausanne, na Suíça. Os advogados Dr. Bruno Tanuri e Dr. André Ribeiro embarcaram com a atleta e levaram a confiança na bagagem.
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Uma mudança no caso pode ser favorável à nadadora, pelo menos na avaliação da defesa. Os três processos contra Rebeca Gusmão foram unificados. A decisão do CAS não será instantânea e o futuro da atleta só será definido entre 30 e 45 dias, como os casos dos jogadores Dodô e Rodrigo Souto.
“Os processos chegam a um ponto em que se entrelaçam mesmo. Seria inevitável não serem unificados. Mas isso é interessante e vai permitir a análise global do caso”, comentou Tanuri ao site Justicadesportiva.com.br antes do embarque.
Apesar da confiança, os advogados de Rebeca não irão mudar a tese de defesa. “Não temos nenhuma carta na manga e estamos bastante otimistas”, concluiu Tanuri, que já conhece os árbitros – dois suíços e um alemão – que julgarão o caso.
Antes do embarque, Rebeca Gusmão misturou ansiedade com otimismo. “Contei nos dedos para chegar este dia. Tem muita coisa guardada dentro de mim que quero falar, mostrar para os juízes. São muitas provas e documentos. Não é possível que não se faça nada diante de tudo o que aconteceu. É um dia de botar para fora. É muito ruim que a sua vida esteja nas mãos de outras pessoas”, declarou a nadadora ao jornal Lance.
Os problemas de Rebeca:
Em setembro de 2007, um ano depois do exame, foi divulgado o resultado de positivo para testosterona exógena. Em novembro de 2007, foi divulgado novo resultado, novamente positivo para a mesma substância, em teste realizado no Pan-Americano. Os dois exames foram feitos em laboratório em Montreal, no Canadá, e foram contestados por Rebeca e pelo médico, José Blanco Herrera.
Dois meses depois, nova polêmica, dessa vez em função da divulgação da existência de dois DNAs diferentes em amostras coletadas da urina de Rebeca Gusmão nos dias 12 e 18 de julho. Porém, os resultados dos exames, que haviam sido solicitados pela Odepa, tinham dado negativo. Em dezembro de 2007, a Odepa anunciou a retirada de medalhas (duas de ouro, uma de prata e uma de bronze) e as marcas de Rebeca no Pan. A entidade explicou que a decisão foi tomada com base na fraude dos exames, em julho, e não do exame positivo.
Em maio de 2008, Rebeca Gusmão foi suspensa por dois anos pela Federação Internacional de Natação (Fina) pelo resultado positivo em exame realizado durante o Pan do Rio. Em julho, nova suspensão, pelo doping de 2006, quando pegou mais dois anos. Os advogados da nadadora recorreram ao doping de 2006, mas o uso da substância proibida foi confirmado. O mesmo aconteceu no caso do Pan do Rio, em 2007. O recurso não foi aceito pela Fina e a atleta foi banida do esporte por acumular duas suspensões por irregularidades.
Agora, no CAS, ela quer "limpar sua ficha" e reiniciar a carreira dentro das piscinas, e não descarta defender outro país, já que o relacionamento com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) não é dos melhores.
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