O atacante Vagner Love voltou ao Palmeiras com objetivos pessoais em mente, como ser lembrado pelo técnico Dunga na hora da convocação para a próxima Copa do Mundo e conquistar o título do Campeonato Brasileiro pelo Verdão. Passados alguns meses, o Artilheiro do Amor ainda parece longe de ser chamado para a Seleção, mas está próximo de alcançar sua meta na competição nacional.
Em entrevista ao site Justicadesportiva.com.br, Love revela ter se preocupado com a queda de rendimento do Palmeiras em determinado momento do Brasileiro, e diz que é preciso tranquilidade para seguir no caminho do título. O jogador fala ainda de Flamengo, da comparação entre futebol carioca e paulista, da experiência na Rússia e outros assuntos.

JD – Qual o tamanho da sua identificação com o Palmeiras?
Vagner Love – É grande, muito grande. O Palmeiras foi o time que me deu chance, no qual comecei a carreira profissionalmente e que me projetou para o futebol brasileiro e mundial. Por tudo isso e pela torcida, sou muito identificado com o clube.
JD – O retorno ao clube está sendo como imaginava?
Vagner Love – Está sendo maravilhoso para mim e pode ser melhor ainda se a gente for campeão brasileiro.
JD – Você disse ter grande identificação com o Palmeiras, mas já confessou torcer para o Flamengo e quase foi para o Corinthians. O coração do Love é que nem coração de mãe: sempre cabe mais um?
Vagner Love – (Risos) Às vezes, cabe, né? Hoje, meu coração é todo palmeirense, mas todos sabem que era torcedor do Flamengo quando pequeno. Mas, hoje, sou do Palmeiras e estou feliz lá.
JD – O Ronaldo disse que deixou o amor pelo Flamengo de lado. Você também?
Vagner Love – Não tem essa coisa de amor, sou profissional e defendo o Palmeiras. E tive outras propostas para voltar ao Brasileiro, mas escolhi o Palmeiras pela identificação que tenho com o clube e com o torcedor. Mas não descarto daqui a alguns anos jogar pelo Flamengo.
JD – O Diego Souza revelou que temia perder o título pela queda de rendimento do time em determinado momento. Você tem o mesmo temor?
Vagner Love – Claro. Pelo nível e pelo equilíbrio do campeonato, a gente tinha consciência de que correríamos esse risco se não reagíssemos logo.
JD – O Marcos reclamou da falta de experiência do time, que teria ocasionado a queda de rendimento antes da vitória sobre o Goiás. Você concorda?
Vagner Love – Acho que estava faltando tranquilidade. A gente entra com muita vontade, querendo resolver logo, e isso pode acabar prejudicando. Precisamos continuar jogando como antes, marcando bem e com desenvoltura, para que as coisas aconteçam naturalmente. Temos que deixar a pressão de lado.
JD – A edição deste ano do Campeonato Brasileiro está sendo a mais equilibrada dos últimos anos. O título será definido só na última rodada?
Vagner Love – Acredito que sim. Pelo que vem acontecendo, com certeza, teremos emoções até o final, tanto na briga pelo título, pela Libertadores, como também para ver quem não vai cair.
JD – Em cima disso, você é a favor dos pontos corridos ou defende o retorno do mata-mata?
Vagner Love – As duas formas de disputa são interessantes. No mata-mata, às vezes, quem liderou a competição toda pode se complicar e acabar eliminado pelo que se classificou lá atrás. Acho que a forma de pontos corridos é mais justa, até mesmo por beneficiar o time mais regular.
JD – Por que o sonho de ir para a Europa acaba virando “pesadelo” para muitos, que, logo em seguida, querem voltar?
Vagner Love – Não vejo assim. Minha passagem na Rússia foi muito boa, me adaptei muito bem e ainda tenho contrato lá. Se tiver que voltar, vou voltar feliz. Mas eu tenho meus sonhos e os meus objetivos. Por isso, decidi voltar, para jogar o Campeonato Brasileiro, que dá mais visibilidade e que pode me levar de volta à Seleção.
JD – Onde é mais difícil jogar?
Vagner Love – É uma coisa difícil de responder. Os dois países têm características diferentes e o futebol também não é igual. Mas nos dois é difícil de jogar.
JD – Na comparação entre o futebol paulista e o futebol carioca, você concorda com a afirmativa de que o Rio está muito atrás?
Vagner Love – O futebol paulista está na frente, sim. Isso é indiscutível. Mas acho que o futebol do Rio tem tudo para crescer novamente e voltar a ser uma referência do futebol brasileiro.
JD – A Justiça Desportiva tem sido muito rigorosa em alguns casos?
Vagner Love – Não acho isso. É o trabalho deles e temos que acatar. Tem certas atitudes que nós, jogadores, não podemos fazer e isso serve de lição.
JD – Você ainda se vê na Copa do Mundo de 2010?
Vagner Love – Continuo com esse sonho e vou sempre pensar em defender a Seleção e em disputar uma Copa do Mundo. Ainda não tem nada definido e vou procurar fazer meu trabalho bem feito no Palmeiras para ser lembrado.