O mundo dá voltas. Essa frase popular retrata um pouco o momento do meia Zé Roberto, do Flamengo. O jogador demorou a cair nas graças da torcida rubro-negra, porém, agora, vive uma boa fase que nem parece o mesmo Zé Roberto de quando chegou ao clube.
Apesar do empenho desde que entrou na Gávea, o meia credita as boas atuações ao atual técnico do time, Andrade. Segundo Zé Roberto, o comandante já deixou o time com a sua cara e, por isso, o Flamengo está em ascensão no Campeonato Brasileiro.
No próximo domingo, Zé Roberto enfrentará seu ex-clube, o Botafogo. Foi no Alvinegro que o meia ganhou mais visibilidade no futebol nacional e até foi eleito o melhor meia no Brasileirão de 2006. Ele acredita que isso também foi um fator para a resistência da torcida rubro-negra o aceitar e, também por esse motivo, já espera que os ex-admiradores do seu futebol peguem no seu pé durante os 90 minutos de jogo. Em entrevista exclusiva ao site Justicadesportiva.com.br, o meia do Flamengo revela o desejo de permanecer no Brasil e no Flamengo, apesar de ter contrato com o Shalke-04, da Alemanha. Confira ao lado o vídeo com parte da entrevista.
JD – Te incomoda quando a imprensa fica comparando o Zé Roberto de hoje ao do passado, que teve problema com indisciplina?
Zé Roberto – “Não é legal. Acho que não tem nada a ver, porque o jogador deve ser julgado pelo que apresenta dentro de campo e na vida pessoal da gente não tem que ficar falando.”
JD – Você já teve a oportunidade de jogar fora, o que é o sonho de muitos jogadores. Pensa nisso ainda?
Zé Roberto – “Eu particularmente nunca tive esse sonho de jogar fora. Tive duas passagens na Europa, não foi do jeito que eu queria, mas aconteceu naturalmente na minha vida, não forcei nada. Hoje em dia, gostaria de permanecer no meu país, mas tenho contrato na Alemanha e se tiver que voltar, vou voltar. Mas se puder ficar aqui vou ficar muito feliz, no Flamengo.”
JD – No domingo terá o clássico contra o Botafogo. Você ainda tem amigos lá?
Zé Roberto – “Eu tenho amigos lá ainda, mas nos falamos pouco porque estamos sempre jogando e treinando. Sempre terei um respeito muito grande pelo Botafogo, mas agora estou do outro lado. Estou feliz no Flamengo e vou procurar fazer o meu melhor aqui.”
JD – Acha que a torcida do Botafogo vai pegar muito no seu pé?
Zé Roberto – “Não sei, mas acredito que sim. Mas é normal e não ligo para isso. Foram quase três anos no Botafogo e é normal num clássico assim os torcedores pegarem no pé. A gente já fica esperando isso.”
JD – A torcida do Flamengo demorou a ter carinho por você. Acha que isso foi por você ter vindo do Botafogo, que é um grande rival atualmente?
Zé Roberto – “Acho que sim, quando você vem de um clube rival, sempre tem a desconfiança e é normal. Meu começo aqui também não foi animador. Não estive bem e isso ajudou a terem um pé atrás, mas hoje isso mudou. Consegui o respeito e o carinho do torcedor do Flamengo e já me sinto em casa. Me sinto bem acomodado aqui e o importante é estarmos felizes com o nosso trabalho. Demorou, mas hoje me abordam na rua com felicidade e demonstram satisfação com o meu trabalho.”
JD – Você atribui o seu bom momento à oportunidade que teve dada pelo técnico Andrade? Como é a relação dele com os jogadores?
Zé Roberto – “Ele procura orientar bastante. Ele não é muito de conversar e fala o necessário. Antes mesmo dele assumir o cargo, já passava muita força para mim e hoje me deu essa moral e confiança. O Andrade foi super importante para que eu pudesse voltar a jogar bem. A equipe toda ficou forte e esse crescimento é bem o perfil dele. A forma que vem jogando o Flamengo também. O esquema tático ganhou uma cara nova e ele, com certeza, é o maior responsável por todo o sucesso do Flamengo e também pela minha volta por cima.”
JD – Você torce para que os rivais cariocas Botafogo e Fluminense fiquem na Série A em 2010?
Zé Roberto – “Quando a gente enfrenta os rivais, quer ganhar, mas acho que o torcedor quer ver o time ganhar do rival para ele ficar na pior e acho que, num geral, para o futebol carioca não é legal ficar um caindo toda hora. Aconteceu com o Vasco e pode acontecer esse ano com o Fluminense e Botafogo. O futebol do Rio sempre foi uma das grandes forças no Campeonato Brasileiro e acho que isso o deixa abaixo do futebol paulista e mineiro. Nós torcemos para que todos os cariocas fiquem fortes e competitivos.”
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