Carrapato. Esse foi o apelido que Willians, do Flamengo, recebeu depois que começou a ganhar notoriedade no mundo da bola. Volante de ofício e reconhecido pelo poder de marcação, o jogador, que nasceu em Praia Grande, na Baixada Santista, mas começou a fazer sucesso no Santo André, passou por momentos difíceis após ser considerado um atleta violento. No entanto, Willians garantiu ao site Justicadesportiva.com.br que isso é passado e que agora vive uma nova fase. O rubro-negro contou também que o principal objetivo no momento é ajudar o Flamengo a conseguir uma melhor posição no Campeonato Brasileiro.
Site JD - Você é um dos principais ladrões de bola do Campeonato Brasileiro, mas também é um dos mais indisciplinados. Você acha que isso é uma relação causa e conseqüência?
Willians - Estou mudando isso. Agora estou trabalhando o máximo para não fazer falta, tomar cartão ou ser expulso durante uma partida. Daqui para frente, espero não tomar mais tantos cartões e jogar bem.
Site JD - Por sua característica de velocidade e marcação, você foi apelidado de "carrapato". Isso te incomoda?
Willians - Não acho ruim não. Se tenho esse apelido é porque faço meu trabalho corretamente dentro de campo. Tento sempre fazer o máximo para ajudar e, graças a Deus, estou conseguindo. Por isso não me preocupo com isso e nem fico chateado com o apelido.
Site JD - Após a partida contra o Atlético/PR, que lhe rendeu uma denúncia no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por praticar agressão física – artigo 253 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) –, a imprensa e muitos torcedores passaram a dizer que você era um jogador violento. Para acabar com essa imagem, você chegou a ter uma conversa com o técnico Andrade. O que ele passou para você?
Willians - Conversamos bastante coisa. Ele me disse que quando jogava com a camisa do Flamengo não fazia muita falta, não tomava cartão amarelo e dificilmente era expulso. Com essa conversa, o Andrade acabou me dando apoio e isso foi muito importante. Ele, como ex-jogador e agora técnico, representa muito para o grupo e por isso procuro ouvi-lo e respeitá-lo sempre.
Site JD - Você chegou a pedir desculpas pelas expulsões e pelos muitos cartões que estava recebendo. Acredita que depois do primeiro gol no Campeonato Brasileiro, as pessoas te "perdoaram"?
Willians - Acho que sim. É sempre bom fazer um gol, dá um ânimo a mais. Eu tive uma semana difícil, olhava para o jornal e para a TV e via que só falavam mal de mim. Mas acho que depois desse gol tirei um peso das costas. Foi realmente um alívio marcar aquele gol.
Site JD - Você começou a ser reconhecido no Santo André, entre 2007 e 2008, e neste ano foi contratado pelo Flamengo. O que mudou na sua carreira depois que você passou a atuar em um clube de maior expressão?
Willians - Mudou muita coisa. Passei a ser bastante cobrado e minha carreira ficou bem melhor aqui no Rio. Estou sendo bastante visado e dentro do Flamengo consegui coisas que nunca esperava conseguir em um clube como esse. Graças a Deus estou conseguindo tudo que queria.
Site JD - Você deu uma declaração dizendo que as estruturas dos times do interior de São Paulo são boas e até melhores que dos clubes do Rio. O que falta para o futebol carioca chegar a esse nível?
Willians - Essa coisa de estrutura é complicada. Acho que faltam os clubes investirem um pouco mais nesse aspecto. Esse investimento, com certeza, faria com que os times cariocas pudessem ter uma estrutura melhor, o que melhoraria o desempenho também.