TÒo logo se iniciou a entrevista, a primeira exigÛncia de Christian foi que nenhuma pergunta sobre julgamentos envolvendo a Portuguesa fosse feita. Testemunha da Lusa no processo aberto pelo Superior Tribunal de Justiþa Desportiva (STJD) por conta da invasÒo do vestißrio do clube, o atacante preferiu deixar o assunto para dirigentes e advogados. Contudo, nÒo fugiu de nenhum outro questionamento. E essa ôperseguiþÒoö Ó Portuguesa de que muitos falam, Christian? ôIsso Ú lendaö, responde.
Para o jogador, a Portuguesa estß forte para voltar Ó elite do futebol brasileiro e ainda tem chance de brigar pelo tÝtulo da SÚrie B. Aos 34 anos e com um vasto currÝculo, incluindo passagens por Internacional, Palmeiras, GrÛmio, SÒo Paulo, Botafogo e Corinthians, alÚm de clubes do exterior e SeleþÒo Brasileira, o atacante nÒo quer fazer previs§es sobre o tÚrmino da carreira.
JD û A Portuguesa passou por momentos difÝceis na SÚrie B, mas se recuperou e jß vem de trÛs vit¾rias consecutivas. O grupo estß realmente focado para essa ascensÒo Ó SÚrie A?
Christian - O grupo estß bem, passou por um momento de turbulÛncia terrÝvel e, infelizmente, nÒo pude estar junto com a equipe, contribuindo, por causa dessa lesÒo. A gente acabou entrando numa turbulÛncia danada em termos de resultados, mas, como vocÛ falou bem, a equipe reagiu e, agora, com dois jogos em casa, espero que a gente consiga entrar de uma vez por todas no G-4 e buscar subir de divisÒo.
JD û Ainda dß para pensar em tÝtulo?
Christian - Hß uma oscilaþÒo muito grande na parte de cima da tabela. Se for analisar bem, mesmo com seis resultados difÝceis que tivemos, ainda ficamos numa posiþÒo de certa forma confortßvel. EntÒo, dependendo dos resultados, dependendo da forma que a coisa for acontecendo, se a gente continuar tendo Ûxito em nossos jogos, a gente encosta, e, aÝ, tudo Ú possÝvel.
JD û Muitos torcedores e atÚ mesmo comentaristas esportivos apontam uma certa perseguiþÒo Ó Portuguesa, por nÒo ser um dos clubes considerados de grande porte de SÒo Paulo. Como vocÛ vÛ isso?
Christian - NÒo acredito muito nisso. Acho que isso aÝ comeþa a virar lenda. No passado, talvez, com algumas decis§es equivocadas de A ou B, acabou se criando essa lenda, essa situaþÒo toda. Mas acredito Ú no que tenho visto. A Portuguesa vem fazendo um trabalho extraordinßrio em termos financeiros, estruturando o clube, crescendo. Esse crescimento pode atÚ ser considerado lento por alguns, mas, para quem vem o acompanhando hß mais de um ano, como eu, vÛ uma evoluþÒo muito grande em todos os sentidos. A Portuguesa, hoje, Ú um clube que paga os salßrios em dia e tem uma estrutura que vem sendo melhorada a cada ano. Isso jß ficou provado no Campeonato Paulista, quando brigamos com os grandes de igual pra igual e, por detalhe, nÒo chegamos entre os quatro primeiros. Agora, estamos nessa luta para subir de divisÒo e a preocupaþÒo maior da diretoria Ú estruturar o clube, para colocß-lo na Primeira DivisÒo e mantÛ-lo lß. Depois, em 2011, 2012, vir com forþa para fazer bons campeonatos e, entÒo, colocar o clube de vez por todas num lugar no qual acho que merece estar.
JD - Por conta de uma lesÒo na panturrilha, sua ·ltima partida pela Portuguesa aconteceu na 14¬ rodada, contra o Guarani, hß mais de um mÛs. Como estß o tratamento e a sua expectativa para voltar a jogar?
Christian - A expectativa Ú sempre a melhor possÝvel, pensamento sempre positivo. Demorou um pouquinho para diagnosticar o tipo de lesÒo e o tratamento a ser feito, mas entramos numa linha de tratamento e, agora, Ú fazer o mais rßpido possÝvel. Comecei o tratamento no final de semana e, depois, Ú esperar duas ou trÛs semanas para voltar a treinar normalmente com os companheiros e ficar Ó disposiþÒo do (Vagner) Benazzi.
JD - VocÛ jß Ú um veterano dos gramados, com 34 anos. Pretende encerrar a carreira com quantos anos?
Christian - Isso Ú muito relativo, vai depender muito do corpo. Prever alguma coisa nesse sentido seria prematuro demais. Enquanto o corpo puder aguentar e nÒo houver les§es como as que vÛm acontecendo nos ·ltimos 40 dias, a gente vai jogando e tentando ajudar da melhor forma. Depois, Ú uma questÒo de analisar bem, com carinho, e ver os pr¾s e os contras para ter uma decisÒo a respeito de futuro.
JD û Nesta SÚrie B, vocÛ chegou a exercer a funþÒo de auxiliar-tÚcnico do interino Flavio Trevisan, antes de RenÚ Sim§es ser contratado pela Portuguesa. Jß pensa em ser treinador quando encerrar a carreira?
Christian - Isso Ú uma coisa que vai nascendo, nÒo Ú um desejo, nÒo tenho essa intenþÒo, hoje, de ser treinador. Ainda acredito que, nÒo havendo les§es, dß para jogar por um tempo e contribuir com qualidade dentro e campo. Mas, no futuro, quem sabe, depois que houver uma preparaþÒo para que isso aconteþa... Se tiver que acontecer, vai ser natural.