É verdade que a imprensa é toda rubro-negra e que odeia vascaínos, tricolores e alvinegros, além de todos os paulistas e demais clubes do planeta? Esta pergunta já me foi mais recorrente, mas na última semana foram inúmeros email e posts no twitter pedindo a minha opinião a respeito.
Acho que, por dever de ofício, terei de voltar a este tema muitas outras vezes, mas confesso que não tenho mais muita paciência. Entretanto, como os leitores merecem atenção e querem saber o que tenho a dizer, não vou ser indelicado e deixar todo mundo curioso. Flapress, na verdade, é uma palhaçada. E como a maioria dos que me perguntaram foram tricolores, vou citar o Fluminense, mas o mesmo vale para qualquer outro time do planeta.
Meus amigos, se até dentro do Fluminense o número de associados rubro-negros é gigantesco, não seria na imprensa que a coisa funcionaria diferente. O único lugar onde a torcida do Fluminense é maior do que a do Flamengo, que eu saiba, é na bucólica Praça Catulo, em Petrópolis. E mais em lugar algum.
Logo, há muito mais jornalistas, engenheiros, juízes, bandidos, advogados, médicos rubro-negros do que tricolores (vascaínos, alvinegros...). E torcedor gosta (e tem todo o direito) de reclamar, de achar um culpado pelo fracasso do time. Até os rubro-negros que acham que os jornalistas flamenguistas torcem contra o time, que só querem atrapalhar em vez de ajudar. Torcedor, em sua maioria, acha que seu clube é o maior do Brasil. E do mundo. E tirando alguns milhões de são-paulinos, os outros estão todos errados.
Os repórteres que cobrem diariamente os clubes estão tão preocupados com sua própria imagem profissional, querem tanto mostrar seu melhor trabalho aos chefes e leitores que mal têm tempo de torcer, seja contra ou a favor, enquanto produzem suas matérias. Todos, claro, têm seu time. A maioria, claro, é rubro-negra, mas salvo exceções comuns a todas as áreas, ninguém está ali para torcer contra, até porque a relação diária com os atletas normalmente torna o jornalista solidário àqueles que suam a camisa em busca de uma conquista. Então, ninguém vai torcer contra aquele cara que está todos os dias com você durante o ano.
Eu, por exemplo, cobri toda a campanha do Fluminense na Libertadores ao lado de muitos colegas que não são tricolores. Tenho certeza que absolutamente nenhum torceu contra, nem que fosse por um simples motivo: ninguém queria deixar de ir ao Japão no fim do ano. São estes os profissionais que produzem a maioria do conteúdo consumido por vocês, leitores.
Ah, mas há os colunistas X e Y que só falam mal do Fluminense. Sim, há. Eles são Flamengo? Sim, podem ser. Mas há motivos para falar bem do Tricolor? Por que falariam? E além disso, colunista está ali para dar a sua opinião pessoal, lê quem quiser, diferentemente do que acontece com a parte noticiosa, onde é preciso, sim, separar o torcedor do profissional.
E ainda tem mais (e muito mais), mas vou tentar ser rápido, podendo, sim, retomar a discussão nos comentários: jornais, revistas, sites e qualquer outro meio de comunicação de massa só sobrevivem graças à audiência. E infelizmente, para os tricolores e torcedores dos demais clubes do Brasil, a torcida do Flamengo é a maior do país. Comparativamente à do Fluminense, deve ser dez vezes maior. Não quero dizer com isso, vejam bem, que se deva puxar a sardinha para o Fla ou distorcer fatos para ajudá-lo ou prejudicar os rivais. Isso não pode acontecer sob hipótese alguma. Mas quando se começa a culpar jornalista pelo fracasso do time e da administração do clube é porque a razão já foi rebaixada à quarta divisão.
Minha opinião está aí e a discussão está na mesa. Sou todo ouvidos.