Ap¾s algumas defesas no Superior Tribunal de Justiþa Desportiva (STJD) e no Tribunal de Justiþa Desportiva do Rio de Janeiro (TJD/RJ) de ßrbitros que atuam na elite do futebol profissional brasileiro, passei a ver de outra forma e a julgar melhor as atuaþ§es destes profissionais. Num esporte que movimenta milh§es de d¾lares, seja com a venda de direitos televisivos, seja nas transaþ§es envolvendo os direitos federativos dos atletas passando pelos patrocÝnios nos uniformes e nas placas publicitßrias espalhadas em vßrios locais dos estßdios, o ßrbitro Ú o ·nico participante na qualidade de amador. NÒo possui qualquer tipo de contrato, nenhum ganho fixo mensal e nenhum direito de ordem trabalhista ao encerrar sua carreira. Ainda assim, invariavelmente, dirigentes, treinadores, atletas e torcedores acusam, abertamente, os ßrbitros de falta de capacidade e conhecimento para conduzir uma partida de futebol. Os adjetivos sÒo os mais variados possÝveis e fazem parte de um extenso repert¾rio de agress§es verbais que, Ós vezes, se transformam em agress§es fÝsicas.
Quando se escolhe a ôprofissÒoö de ßrbitro jß se deve ter em conta que a partir daquele momento passarß a estar sujeito a imensas press§es e que dificilmente nÒo deixarß alguÚm descontente ap¾s uma partida de futebol. Vßrios sÒo apupados antes mesmo do jogo comeþar colocando em ôcheckö toda a preparaþÒo psicol¾gica que foi feita pelos ßrbitros para aquele evento esportivo. + extremamente estressante ter que conviver com pressÒo, suspeitas, insultos e ainda assim ter agilidade de raciocÝnio, julgamento e aþÒo. A partir desta aþÒo, o ßrbitro deve decidir o mais rßpido possÝvel para que nÒo haja uma sensaþÒo de indecisÒo. Para uma boa arbitragem Ú imprescindÝvel uma decisÒo clara e rßpida o que inibe qualquer tipo de reclamaþÒo. No entanto, existem lances de jogo extremamente difÝceis de serem marcados jß que os ßrbitros disp§em apenas de um Ôngulo de visÒo e de poucos segundos para tomarem uma decisÒo com firmeza e sem direito a erros. Ressalta-se, neste ponto, que enquanto os jogadores treinam a semana inteira tanto tÚcnica como fisicamente, dispondo de profissionais altamente qualificados ao seu lado para uma assistÛncia permanente, 98% dos ßrbitros possuem outra fonte de renda que nÒo a arbitragem. E como adequar Ós suas obrigaþ§es de ßrbitro que exigem treinamentos, reuni§es, viagens se esta nÒo Ú a sua profissÒo? Como exercer com tranq³ilidade suas ôreais profiss§esö, aquelas que sÒo responsßveis pelo seu futuro familiar, se os ßrbitros quase que diariamente devem estar Ó disposiþÒo das Federaþ§es em que atuam? Enquanto o ßrbitro tiver dupla jornada de trabalho e nÒo for somente profissional do apito, o estresse serß sempre elevado. + mais do que necessßrio iniciar uma discussÒo sobre o profissionalismo da profissÒo para que os ßrbitros sejam mais bem preparados e menos suscetÝveis a erros.
Imaginava que apenas os pr¾prios ßrbitros pudessem ter a exata noþÒo de quÒo difÝcil e incompreendido Ú o seu trabalho. No entanto, pelos contatos com esses profissionais, inerentes Ó profissÒo que desempenho, passei a conhecÛ-los e a compreendÛ-los melhor e sugiro que aqueles que nÒo sÒo ßrbitros de futebol conheþam um pouco mais a funþÒo para que diante de suas limitaþ§es, enormes exigÛncias e cobranþas, possam ser melhor visualizadas e tambÚm compreendidas. Mas, como em toda profissÒo, haverß aqueles que deixarÒo a desejar em sua atuaþÒo, mas nÒo podemos nos espelhar na parcela Ýnfima de maus profissionais que existem em qualquer ßrea. Para esses estarÒo sempre reservados o descrÚdito, a desconfianþa, o ostracismo e uma pßgina virada da hist¾ria.