Minha vida profissional sofreu importantes mudanças nos tempos recentes. Fui obrigado a desativar meu antigo escritório, rever métodos, mudar parceiros e colaboradores e alterar a forma de trabalhar. Agora, por medida de conforto e economia, tal como quando estou no Rio de Janeiro, laboro em casa, ou seja, vivo, convivo e produzo num mesmo espaço, o meu espaço. Dizem que estou vivendo os tempos modernos, os do “home officer”.
No dia do anúncio da sede das Olimpíadas 2016, desde as primeiras horas do dia, estava ligado no meu preferido meio de comunicação: o rádio. Ouvia atentamente as programações feitas diretamente da cidade do Rio de Janeiro e da praia de Copacabana (local escolhido para receber o público e palco de shows comemorativos).
- COPACABANA, PRINCESINHA DO MAR...
As informações e as entrevistas eram otimistas, mas o tal “EFEITO OBAMA” atemorizava e criava receios de que o prestígio do líder norte americano pudesse ser decisivo na opção por Chicago como palco dos jogos. Presentes também aqueles que exaltavam o potencial de Madrid e de Tóquio.
- EU SOU O SAMBA, SOU NATURAL AQUI DO RIO DE JANEIRO...
Discursos emocionados e emocionantes, defesas das candidaturas bem argumentadas, avaliações e projeções continuadas. Horas passando e aproximando-se o início das votações, que previam eliminações individuais até que restassem, dentre as quatro postulantes, apenas duas e, ao final, uma.
- RIO DE JANEIRO, GOSTO DE VOCÊ, DESSE MAR, DESSA GENTE FELIZ...
Como eu tinha um compromisso no centro de Curitiba (na salinha que subloquei para atender os clientes que procuram meus serviços e os amigos que buscam minhas opiniões), ao lado das tarefas do computador, ia me preparando para sair. Só que não conseguia me desligar do rádio, veículo vivo, veículo inigualável!
- NADA IGUAL, DO LEME AO PONTAL...
Chegava o momento da primeira (e inesperada) eliminação: Chicago. A tida como grande adversária estava fora da disputa e o mencionado “EFEITO OBAMA” não se fez sentir. Seu lema de vitoriosa campanha “SIM, NÓS PODEMOS”, já não tinha o magnetismo recém pretérito. “NÃO, OS EUA OU CHICAGO JÁ NÃO PODIAM”. Passou a valer um novo slogan “SIM, NÓS GANHAMOS”!
- PRA PASSEAR, PRA NAMORAR, A BEIRA MAR, COPACABANA...
Tóquio seria a próxima eliminada. Outra portentosa concorrente, malgrado os terremotos. A situação agora era simplista: ou nós, os brasileiros e a candidatura do Rio de Janeiro, ou eles, os irmãos espanhóis e a candidatura da bela Madrid. Suspense para o anúncio.
- CRISTO REDENTOR, BRAÇOS ABERTOS SOBRE A GUANABARA...
Não dava mais para aguardar em casa, o relógio me obrigava a sair. Saquei meu “radinho de pilha” (calma, ele é bem moderninho...), pus os fones de ouvido, separei os R$. 2,20 da passagem e fui lentamente caminhando. Um ônibus passou e nem me apressei, pois minha atenção estava toda nas notícias, de Copacabana e de Copenhague, da praia mais linda e mais famosa do mundo e da capital dinamarquesa. E o Cristo Redentor, penúltima das canções famosas lembradas, realmente abria seus braços sobre o Brasil e o Rio de Janeiro, sobre os brasileiros e os cariocas. O Rio foi o escolhido!
- CIDADE MARAVILHOSA, CHEIA DE ENCANTOS MIL, CIDADE MARAVILHOSA, CORAÇÃO DO MEU BRASIL...
Já próximo ao ponto de ônibus, não contive a emoção e caí em um pranto incontrolável. Chorei de felicidade, chorei com facilidade...
- O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO...
A importância da realização das Olimpíadas do Ano 2016 para o Brasil e especialmente para a cidade do Rio de Janeiro (cartão postal maior de nosso território continental e berço turístico ímpar) é extraordinária. Os benefícios serão incalculáveis. Aliás, o Rio merece uma reforma, ações de mobilidade urbana, segurança, equipamentos esportivos de grande porte, instalações dignas para visitantes e moradores (naturais ou não, como eu), modernidade, respeito histórico, intervenções urbanísticas audazes (como foram o Aterro e o alargamento das vias avançando sobre o mar), resgate de qualidade de vida.
Viva o Rio de Janeiro, agora olímpico! Com sua princesinha do mar, Copacabana, lugar para se passear e namorar a beira mar. Do samba de raiz e nascedouro. Rio que tantos gostam e tantos amam. Rio de sol, de mar, de calçadas cheias de gente a passar e ver os outros passar. Rio, a mais bela obra da arquitetura natural, com suas águas mágicas, do Leme ao Pontal, do Flamengo e Botafogo, da Lagoa, da Baia da Guanabara. Rio do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar, do Maracanã, do Jardim Botânico, da Floresta da Tijuca, do Teatro Municipal, do Centro histórico e do Carnaval. Rio de intelectuais, poetas e artistas, Rio de gente feliz (inclusive das comunidades). Rio dos cariocas e dos brasileiros, Rio do mundo, agora olímpico!
Domingos Moro
* Advogado, especialista em Direito Desportivo, com vasta experiÛncia em atividades ligadas ao futebol, a representaþÒo de Clubes Paranaenses perante as entidades Nacionais gerenciadoras do desporto, por especial a ConfederaþÒo Brasileira de Futebol û CBF, o Superior Tribunal de Justiþa Desportiva û STJD (em suas Comiss§es Disciplinares e Tribunal Pleno) e outras sediadas na cidade do Rio de Janeiro, que congrega e centraliza todas as decis§es norteadoras do futebol brasileiro, desde registro de atletas, julgamentos e punibilidade de agentes do desporto (atletas, funcionßrios, associaþ§es, clubes e dirigentes), calendßrio e organizaþÒo de competiþ§es, regulamentos e controle jurisprudencial de normas aplicßveis a matÚria.